Empresas sem chefe? Descubra o que é gestão horizontal

O que é gestão horizontal?

Imagine não ter chefe, nem gerente ou gestor. Pode parecer um sonho trabalhar com maior liberdade, não é mesmo? Se você pensou logo em bagunça, é porque você ainda não conhece o modelo de gestão horizontal: um método de sucesso que nada tem a ver com baderna ou falta de disciplina.

Pelo contrário, é um modelo de organização corporativa que incentiva a participação e o comprometimento de todos em vez de difundir metas cobradas por uma figura hierárquica específica. Para conhecer melhor essa nova tendência, descubra neste artigo o que é gestão horizontal e como ela pode ser promissora para diversos segmentos. Confira!

O que é a gestão horizontal

Sabe-se que a figura do chefe truculento e ranzinza já não preenche a vaga de gestor com o mesmo sucesso de antes. Ao longo das décadas, a humanidade finalmente percebeu que esse personagem autoritário e intransigente não era tão necessário, e que poderia causar mais antipatia do que respeito ou temor.

Partindo do pressuposto de que a modernidade prioriza o diálogo em vez de introduzir ordens e opiniões incontestáveis, eis que surge um formato profissional que traduziu a intenção libertária nas companhias: a gestão horizontal.

Nela, não há ascensão de uma minoria sob a maioria dos funcionários e, justamente por isso, as decisões são escolhidas em consenso com a ajuda do coletivo.

Poder democrático

Se, por um lado, não há uma relação de poder absoluto, por outro, cada colaborador tem a responsabilidade de contribuir de determinada forma para aperfeiçoar o funcionamento da empresa.

Trata-se de um poder velado, contudo mais democrático e responsável por minimizar as disputas internas por crescimento, o que contribui diretamente para o fortalecimento do grupo.

Crescimento

Por falar em crescimento, isso não implica em resguardar a mesma faixa salarial para todos e nada tem a ver com estagnação profissional. O objetivo aqui é envolver todos os funcionários nos processos decisórios e na execução do bem comum.

Dessa forma, o crescimento ocorre, mas depende inteiramente da estratégia de construção exercida pelos envolvidos e pelas equipes avaliativas.

Comunicação unânime

Outra atribuição da gestão horizontal é a boa comunicação para, por meio dela, evoluir de forma que todos os membros se tornem aliados e colaboradores junto ao negócio.

Portanto, o ambiente que integra valorização do diálogo e colaboração acaba por acolher questionamentos e opiniões agregadoras, propiciando debates práticos para integrar todas as áreas nos seus processos e atividades.

Fim da hierarquia?

A gestão horizontal pode dividir os funcionários em equipes com coordenadores que atuam para suavizar as funções de cada grupo, por exemplo.

Apesar do nome relacionado à coordenação, todas as pessoas, independente do cargo, possuem responsabilidades e objetivos específicos em prol do time. É o caso das empresas que optam por um nível de autonomia parcial ou intermediário (conhecidas como flatter organizations), na qual são dissolvidas apenas algumas camadas hierárquicas.

Também há a opção da autonomia total, em que cada um decide se organizar como achar melhor. De qualquer forma, em ambos os formatos, o diálogo, a abertura à discussão e a contribuição individual precisam estar presentes para uma transição de sucesso, independente do estilo escolhido.

A importância da estrutura horizontal para as empresas

Ao contrário do que você imaginou até agora, a figura do gestor não se desfaz com a transição para a técnica de gestão horizontal. Continue a leitura para descobrir quatro dicas fundamentais sobre a gestão horizontal:

1. Lapidando talentos

A figura do líder tende a se intensificar mediante a gestão horizontal. Isso acontece porque, sem uma pessoa encarregada de executar um controle absoluto, todas as outras ganham mais espaço para desenvolver seu potencial de guia e empreendedorismo.

Assim, os condutores natos podem receber reconhecimentos, e os de personalidade diferente têm a chance de desenvolver características de liderança e melhorar sua atuação — tudo isso graças à responsabilidade compartilhada com todos por meio do facilitador, e não exatamente um chefe.

2. Atmosferas propícias

Mas é preciso considerar o perfil das organizações, normalmente menores, que se adequam a esse tipo de gestão. As startups são aquelas cuja missão e valores baseiam-se em buscar caminhos inovadores e, portanto, estão mais propícias a adotar esse estilo horizontalizado.

Parte do que as inspira é a atuação de sucesso do Google que, embora seja uma grande empresa, configura um dos maiores modelos de gestão horizontal assertiva, mesmo optando pelo nível de liberdade hierárquica intermediário.

Por isso, antes de optar por ela, é preciso considerar algumas características específicas do negócio da cultura empresarial adotada e avaliar a maturidade da companhia.

Além da comunicação mencionada anteriormente, esse arquétipo também agrega outras funcionalidades:

  • Boa gestão de tempo: saber gerenciar as horas de trabalho é fundamental para entregar o melhor durante o período de atuação;
  • Priorização de projetos: a produtividade dos funcionários é centrada na diferença entre o que é urgente, o que é importante e o que é dispensável, para que todos atuem rumo à eficácia corporativa;
  • Administração de conflitos: os possíveis conflitos de relacionamento que podem surgir em qualquer grupo não podem prejudicar, de forma alguma, o profissionalismo do time;
  • Incentivo à proatividade: uma empresa de gestão horizontal requer colaboradores proativos que assumam o papel de protagonistas autônomos para sugerir soluções em vez de esperar um líder tomar decisões;
  • Facilidade criativa: sem o chefe, os problemas que surgem demandam rapidez, originalidade e pensar fora da caixa;
  • Planejamento estratégico: estar antenado ao futuro e vislumbrar as novidades do mercado são essenciais para o pensamento cotidiano de quem se programa estrategicamente para fazer a empresa crescer sem chefia.

3. Conhecimento compartilhado

Outros aspectos importantes são a flexibilidade para lidar com as equipes contestadoras e o interesse em compartilhar, ensinar e colaborar com todo o conhecimento necessário. Caso contrário, a ideia do ditador permanece atuante.

Também é válido escolher um ponto de referência ou um guia para pautar as decisões e evitar debates demasiadamente prolongados que arriscam perder o fio da meada.

Nas reuniões, a prioridade deve ser desenhar estratégias para aprimorar o negócio e como elas devem ser executadas.

Aqui cabe a indicação de treinamentos especializados, inclusive à distância, para que os colaboradores possam se acostumar com a nova tendência ao longo do processo de mudança.

4. Cases de sucesso

Mas é óbvio que tudo depende de como a empresa se organiza. Algumas pessoas podem considerar as agências de publicidade como praticantes dessa cultura porque mantém no escritório, normalmente, máquina de café, espaço para lazer e descanso com mesa de jogos, videogames e outras distrações.

Também é comum contar com maior flexibilidade quanto à carga horária nessas agências. Tais detalhes, apesar de interessantes, por si só não configuram, necessariamente, uma gestão horizontal efetiva. Isso porque não garantem autonomia suficiente do colaborador e nem focam no crescimento individual e coletivo da firma.

Além do Google, a Netflix é também uma verdadeira representante dessa nova cultura de gestão — no caso, parcialmente horizontal. Ela divulgou um documento que teve milhares de acessos e inspira, cada dia mais, outras empresas em todo o mundo a vestirem a mesma camisa: de um time liderado por todos!

No Brasil, a Vagas.com e a Semco são grandes difusores dessa atuação e conseguem extrair resultados valiosos por intermédio dessa medida.

Agora que você já entendeu o que é gestão horizontal e está ciente da importância dessa tendência para o desenvolvimento e modernização das relações de trabalho, não deixe de compartilhar este post com seus amigos nas redes sociais e divulgar as vantagens desse conceito promissor!

Treinando mais com menos